Entrevista

Formação de PMs muda após greve

Novos policias militares ficarão mais tempo em formação, passando por uma transição da vida civil para a carreira militar                


Foto: Divulgação

Lorena M. Giordina - ADI

 

Um ano após a paralisação da Polícia Militar, a corporação passou por mudanças, principalmente na formação dos policiais, que agora passam por treinamentos de um ano e 10 meses, ao invés dos cinco meses de curso que tinham antes.

 

Sob o comando do coronel Nylton Rodrigues, a PM recebeu investimentos de R$ 40 milhões, em viaturas, equipamentos, armamentos e munições.

 

"Mandamos dois majores para testarem as armas novas nos Estados Unidos, compramos fuzis de fabricação americana da marca Colt, modelo M4, calibre 5.56mm , e estamos em processo de licitação internacional para a compra da melhor pistola do mundo", afirmou o comandante geral da PM.

 

A formação dos soldados mudou. Os novos PMs ficam cinco meses em treinamento na academia e mais um ano em estágio supervisionado dentro dos Batalhões da Grande Vitória. Para o comandante é preciso que o civil passe por uma imersão antes de se tornar um militar. 

 

"A PM é uma instituição militar e tem como base a disciplina, a hierarquia, e a obediência às regras, respeito aos subordinados, pares e superiores. Temos valores muito fortes, que o pessoal que vem do civil precisa de tempo para absorver esses valores", destacou.

 

ENTREVISTA

 

Sob o comando do coronel Nylton Rodrigues, a PM recebeu investimentos de R$ 40 milhões

Comandante geral da PM, coronel Nylton Rodrigues

 

Associação dos Diários do Interior (ADI): Um ano após a greve qual o balanço da Polícia Militar?

 

Comandante Nylton Rodrigues - A reivindicação é válida, os policias precisam ser bem tratados, valorizados. Mas a forma como a greve começou estava errada, eu não posso abandonar uma sociedade para reivindicar melhores salários prejudicando as pessoas. A greve começou sem uma assembleia, um grupo de pessoas com interesse pessoais e políticos e tentaram levar toda uma instituição a reboque.

 

Tudo tem a hora e a forma certa, vivíamos a maior crise econômica do Brasil, estados vizinhos de Norte a Sul estavam com problemas na folha de pagamento, mesmo com a crise honramos os pagamentos e mantivemos os salários em dia.

 

ADI: Como ficou a saúde dos policiais militares, após a greve. O que tem sido feito para amparar esses profissionais?

 

Sempre houve no seio das tropas um problema de saúde mental, todas as polícias enfrentam problemas como a depressão, mas foi constatado que após fevereiro ouve um agravamento. Para isso encontramos um caminho para contratar médicos civis, e hoje em parceria com a Secretária de Estado da Saúde contratamos seis psiquiatras, quatro psicólogos e três assistentes sociais para dar apoio aos policiais. O novo concurso da PM terá vagas para cinco psiquiatras, totalizando 11 médicos.

 

A família e o policial precisam de médicos, estamos recebendo o prédio do lado do Hospital da Polícia Militar (HPM), onde funcionará o atendimento a saúde mental. Estamos instalando um pronto-socorro dentro do HPM, porque não é justo que nosso PM se envolva em confronto e seja atendido no mesmo local que o bandido. Também estamos anexando vagas de UTI no HPM, e levaremos um ônibus com atendimento médico para os policias do interior, essa foi uma das prioridades do comando.

 

ADI: A greve começou com pedidos de melhora de salários, há possibilidade dessa melhora?

 

O Espírito Santo sai na frente na crise, e todo o Brasil reconhece isso hoje. Existe sim, a expectativa de a reposição salarial acontecer. Mas ela só pode existir quando o Estado consegue pagá-la.

 

ADI: Temos no interior PMs que são lotadas fora da sua cidade de origem, por que? Muito se contesta em relação a eles serem afastados da família?

 

A PM é uma instituição estadual estamos presentes em todos os municípios do Estado, quando ingressamos na PM, nós trabalhamos para o estado do Espírito Santo, assim como que trabalha no exército, trabalha para o País. Nós queremos atender as solicitações daqueles que pedem para serem lotados em suas localidades, mas nós temos demandas, trabalhos 24 horas por dia, de domingo a domingo, e o policial é mandado para onde há mais necessidade.

 

 

SELEÇÃO

 

Concurso para PM em 2018

 

Serão 310 oportunidades, distribuídas em cargos de soldado (250), oficial (30), oficial médico do Hospital da Polícia Militar (20), e músico (10). Para bombeiros, são 120 soldados e 7 oficiais. Aremuneração é de R$ 3.272,06 para soldados e R$ 6.716,48 para oficiais. Já estão inclusos a escala extra e o auxílio alimentação.

 

É necessário ter o nível superior para os oficiais médicos, o outros cargos requerem nível médio.

 

O concurso contará com provas objetivas, teste de aptidão física, exame psicossomático, exame de saúde, investigação social e para os ooutrosteste toxicológico.

 

O curso de formação de soldados tem a duração de um ano e 10 meses, sendo dez meses de prática e um ano de estágio supervisionado. Já a formação dos oficiais é de três anos e um de estágio probatório. É bom lembrar que os oficiais saem da academia com uma formação de nível superior.

 

Os últimos concursos para soldado e oficial foram lançados em 2013. Já o Corpo de Bombeiros teve o último edital publicado no final de 2010.

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