?É o ano de começar a tirar do papel o que sonhamos? - Jornal Fato
Entrevista

?É o ano de começar a tirar do papel o que sonhamos?

Prefeito de Cachoeiro de Itapemirim concede entrevista em que avalia seu primeiro ano de gestão e projeta realizações para 2018 e anos seguintes


Fotos: Divulgação/PMCI

Depois de vencer eleição de difícil prognóstico com surpreendente folga, Victor Coelho assumiu a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim cercado de expectativas gigantescas. Surfava a onda do novo, após oito desgastantes anos de governo petista no município.

 

Um ano depois, Victor põe em perspectiva sua atuação, na entrevista que segue. Uma das raras concedidas desde que assumiu. Adepto confesso e convicto das mídias sociais digitais, também usou a tecnologia para responder às questões, que lhes foram enviadas por e-mail, via assessoria, e respondidas 11 dias depois, na sexta-feira (27).

 

As respostas dadas foram mantidas na íntegra, assim como as perguntas feitas, algumas generalizadas, dado o modelo adotado na entrevista, outras específicas. Em suma, se percebe um que o ano de 2017 foi de amadurecimento para Victor e de planejamento para sua gestão. E a partir de 2018, é o próprio prefeito quem garante, será o ano de fazer as coisas acontecerem.

 

FATO- Prefeito, encerrado o seu primeiro ano de mandato, considera que fez um bom trabalho?

 

Victor Coelho - Considerando todo cenário econômico que o país está atravessando, considerando as dificuldades administrativas que já sabíamos que iríamos encontrar e as que vieram sem avisar, como a crise da segurança pública em fevereiro, o surto de febre amarela, os alagamentos em junho, acredito que fizemos um bom trabalho dentro do que planejamos para esse primeiro ano.

 

Reafirmo que a prioridade no primeiro ano era foco na gestão, no planejamento e na transparência. Por isso reativamos o Escritório de Projetos e Captação de Recursos e, paralelo a isso, intensificamos ações para controlar gastos e diminuir os custos. Na reforma administrativa propusemos a criação de uma secretaria que cuidasse especificamente de áreas cruciais: aumentar a receita, diminuir as despesas e, principalmente, modernizar a máquina pública.

 

Hoje temos um departamento exclusivo para revisão e criação de normativas de procedimentos e fluxograma de processos. O que pretendemos com isso: garantir que a burocracia (que precisa existir) seja apenas para manter a seriedade e lisura de todos os trâmites, sem que os mesmos sejam motivos de entraves e atrasos.

 

"Nossa cidade sempre esteve acima de divergências políticas. Meu partido sempre será Cachoeiro de Itapemirim".

É claro que a população está ansiosa de ver ações e resultados mais palpáveis, mas sem um bom planejamento não teremos resultados duradouros. Mas olha quantas coisas significativas fizemos nesse primeiro ano: recuperamos 80 veículos que estavam parados esperando manutenção, adquirimos com recursos próprios quatro retroescavadeiras, três caminhões e dez viaturas para a Guarda Municipal. Na área da saúde ampliamos o pronto atendimento infantil para funcionar 24 horas, lançamos o Ônibus da Saúde, para atender distritos e moradores em situação de risco, colocamos o serviço de raio-x da UPA do Marbrasa para funcionar, fizemos pequenas reformas em várias unidades que estavam em estado deplorável e ampliamos os serviços médicos. No Desenvolvimento Social, dobramos os repasses para as instituições que cuidam de crianças e idosos. A cidade está mais limpa, graças ao trabalho intenso que estamos fazendo também aos sábados, domingos e feriados. Estamos embelezando a cidade, transformando o que era lixo em jardins, plantamos mais de 500 mudas de árvores, melhoramos as estradas do interior, ampliamos os núcleos de atividades esportivas, valorizamos nossos servidores voltando com o pagamento do salário no mês trabalhado, aumentando o ticket alimentação e estendendo aos contratados o ticket feira. Sem contar coma contratação de empresa para elaboração do novo plano de cargos e salários. Na Segurança cumprimos todas as exigências do Ministério Público, faltando apenas o curso para a Guarda Municipal voltar a trabalhar armada, previsto para fevereiro. Dez anos de espera que iremos finalmente dar um final feliz para essa novela. Na Educação investimos na reforma das escolas, na aquisição de novos equipamentos pedagógicos e preparamos todo terreno para que esse ano tenhamos duas escolas em tempo integral. Na agricultura e interior, promovemos melhoria em mais de 100 km de estradas rurais, além de outros incentivos aos produtores rurais como criação de novas feiras de agricultura familiar, construção de reservatórios de água e incentivo às agroindústrias.

 

No Esporte, ampliamos os núcleos de 7 para 25 nos bairros, trouxemos de volta os Jogos Escolares e o Campeonato Municipal de Futebol, promovemos melhorias em quadras e praças de lazer, entre tantas outras conquistas. A Cultura e o Turismo também tiveram destaques com a ampliação dos horários de visitação dos centros culturais para fins de semana e feriados, promovendo uma visitação ainda maior em 2017. As festas de Cachoeiro e a Feira da Bondade foram prestigiadas por grande público, com uma programação voltada para as famílias. E o Natal, para fechar o ano, foi o encontro do que temos de melhor: o povo cachoeirense desfrutando da Praça Jerônimo Monteiro com uma bela decoração natalina. É dessa forma, cuidando das pessoas, seja na cidade ou interior, que estamos nos preparando para o presente e o futuro, com foco nos investimentos ainda necessários nas mais diversas áreas.

 

Quais parâmetros o senhor considera para medir o sucesso das políticas públicas que tenta implantar?

 

O melhor parâmetro para o sucesso de uma política pública é quando ela dá resultados positivos e garante a satisfação de quem a usufrui. E isso nós medimos através de monitoramento constante de nossas ações. Um exemplo é o aumento da eficiência dos atendimentos feitos pela Ouvidoria do município. Aumentamos em mais de 80% a resolubilidade das demandas que chegam até nós. E com o advento da tecnologia estamos cada vez mais interagindo com a população, o que torna esse feedback ainda mais rápido e resolutivo. Gosto dessa proximidade. A melhor avaliação sempre virá da população.

 

Qual considera o maior feito da sua gestão até aqui?

 

Quando baseamos nossa administração no tripé 'gestão eficiente, ética e transparência' destaco dois pontos: passar o ano sem nenhuma ação de improbidade, nenhuma notificação do Ministério Público e nenhuma assinatura de termos de ajuste de conduta, reflete o caráter da nossa equipe e da nossa gestão. Mas o principal feito sem dúvida é a relação de transparência com a população. Subir 28 posições no ranking do Tribunal de Contas e alcançar a 6ª posição tão rapidamente reafirma o nosso compromisso com a verdade e com o bom uso do dinheiro público.

 

Qual a principal dificuldade do primeiro ano de gestão?

 

Eu não diria dificuldade e sim, desafio. Dificuldades sempre vão existir. Considero nosso maior desafio no primeiro ano, sem dúvida, o enfrentamento da crise da segurança pública em fevereiro, com a paralisação da Polícia Militar em todo o Estado. Vivemos momentos de grande angústia, mas enfrentamos agindo com rapidez e eficiência após decisão judicial para rearmamento da Guarda Municipal e apoio dos governos federal e estadual.

 

"Quando o assunto é reajuste salarial, temos que agir com prudência e responsabilidade. Vemos exemplos ruins de vários municípios e Estados com salários atrasados. Não queremos isso pra Cachoeiro"

 

Houve, no poder, algo, em algum campo, que o tenha feito mudar de opinião em relação ao que acreditava antes de assumir?

 

Quando estava fora e não conhecia o funcionamento da máquina pública por dentro, eu acreditava que era possível diminuir o número de secretarias e de comissionados conforme nos comprometemos no plano de governo, em cerca de 30 a 40% já no primeiro momento. Fiz um curso de gestão no Rio de Janeiro que propunha a redução para sete secretarias em qualquer prefeitura. Claro que não chegaríamos a esse número tão reduzido, mas o planejamento inicial era unificar mais secretarias, como por exemplo a de Transportes ser um departamento dentro da Secretaria de Administração, a de Serviços Urbanos unificada com a de Obras, a de Desenvolvimento Urbano com Meio Ambiente. Mas para não perder a qualidade e eficiência dos serviços não podemos fazer isso nesse momento.

 

O que faria diferente se estivesse começando o seu mandato agora?

 

No primeiro ano, o que é muito comum, o gestor dedica muito tempo aos ajustes que precisam ser feitos em toda a estrutura, e por conta disso se distancia um pouco de agendas nas comunidades e com os setores produtivos. Em 2018 quero estar mais próximo das comunidades tanto na área urbana quanto na rural, dialogando mais e trazendo para a gestão sugestões possíveis de serem realizadas com mais rapidez e eficiência.

 

Em que área considera que poderia ter avançado mais e o que o impediu de conseguir tal avanço?

 

Quando nos propomos a cuidar melhor de pessoas, as principais áreas são Saúde, Assistência Social e Segurança. Tivemos conquistas importantes, mas a demanda reprimida, principalmente na Saúde, é muito grande, e sempre nos esbarramos na falta de recursos financeiros para investimentos. O principal desafio, acredito, ainda será o de promover a saúde - a que compete o município - com mais rapidez e eficiência de atendimento.

 

"Passar o ano sem ação de improbidade, notificação do MP e assinatura de TAC reflete o caráter da nossa equipe e da nossa gestão"

 

Agora, olhando para 2018, quais os principais desafios a serem enfrentados?

 

2017 foi um ano principalmente de adaptação, reconhecimento e planejamento. Já 2018 é o ano de começar a tirar do papel tudo o que sonhamos para o município. Para isso, buscamos financiamentos e parcerias nas mais diversas esferas, no sentido de executar primeiramente as obras prioritárias, há anos aguardadas pela população. Tenho certeza que com os ajustes que fizemos e continuamos fazendo, vamos realizar obras importantes para o futuro como nas áreas de infraestrutura e de mobilidade urbana.

 

O funcionalismo público terá reajuste neste ano?

 

Nosso principal objetivo em relação ao servidor é concluir o plano de cargos e salários, previsto para abril. 54% dos servidores ganham abaixo do salário mínimo e qualquer reajuste não surgiria efeito. Quando o assunto é reajuste salarial temos que agir com prudência e responsabilidade. Vemos exemplos ruins de vários municípios e Estados com salários atrasados. Não queremos isso pra Cachoeiro. Para garantir a funcionalidade do novo plano de cargos e salários, estamos concluindo o Programa de Demissão Voluntária para celetistas e também finalizando o estudo de terceirização de alguns serviços.

 

A mobilidade urbana é um problema que atravessa gestões e se acentua na medida em que a região central vai se entulhando de novos empreendimentos e que o número de veículos circulando pela cidade aumenta. Que medidas pretende tomar para melhorar o ir e vir dos cachoeirenses e dos visitantes?

 

Montamos uma Comissão de Mobilidade Urbana para pensar exclusivamente essas demandas. Sua pergunta praticamente dá a resposta: temos que pensar no Plano Diretor Municipal em áreas de expansão territorial da cidade, de forma planejada, e buscar priorizar ações de melhoria do transporte coletivo. Estamos buscando junto à Caixa Econômica Federal o financiamento do Avançar Cidades para investir 30 milhões no Programa de Mobilidade que Cachoeiro ganhou do governo do Estado em 2012. Nosso departamento de trânsito já implantou algumas mudanças simples que foram positivas. Estamos fazendo também melhorias na sinalização viária e temos projetos maiores, que dependem de outros financiamentos, para buscar resolver os gargalos do trânsito em horários de pico.

 

"É claro que a população está ansiosa de ver ações e resultados mais palpáveis, mas sem um bom planejamento não teremos resultados duradouros"

 

No início de sua gestão, sua intimidade com as redes sociais causou alguns embaraços. Foram embates acalorados com eleitores e repercussão dos mínimos atos - inclusive pessoais - na internet. Hoje, sua relação com o mundo digital é diferente? Em que aspecto?

 

Sempre fui muito presente nas redes sociais, antes mesmo de um dia pensar em entrar na política. E sempre fui (e serei) muito verdadeiro nos meus pensamentos e nos meus argumentos. Mas me tornei uma figura pública e tenho que me adaptar a essa mudança. Amadureci muito e aprendi que se o debate não for propositivo, não vale a pena. Hoje, no pouco tempo que tenho, uso as redes sociais para me aproximar das pessoas, de suas necessidades e expectativas. Preservo minha espontaneidade, muito bem aceita por aqueles que me seguem nas redes, porém estou mais contido nos embates virtuais. Prefiro debater no mundo real.

 

O senhor se elegeu pregando uma parceria que, na prática, não se vê com o vice-prefeito Jonas Nogueira, que, inclusive, tem reclamado de ter sido relegado a posto decorativo. Chegou a despachar do hospital, mas não permitiu ao vice assumir o posto. O que mudou entre a eleição e a posse?

 

Absolutamente nada. Tudo o que foi conversado antes das eleições tem sido cumprido. Inclusive é de notório saber de todos, confirmado pelo próprio Jonas, que o convidei para assumir a pasta do Desenvolvimento Econômico e o mesmo preferiu não estar atuando em nenhuma pasta e ficar livre para circular e apoiar todas as secretarias no que for preciso. Ele tem me representado em diversas reuniões e cerimônias quando não posso estar presente e agora com a mudança para a nova estrutura administrativa, criamos o cargo de chefe de gabinete do vice-prefeito e estamos preparando um local para ele despachar. Ele faz parte do grupo de Whatsapp dos secretários e tem ciência de todas as datas de reuniões mensais de secretariado. Participou de apenas uma e depois não compareceu mais. Não vejo problema nenhum em deixá-lo assumir o posto, desde que não me veja em condições de atuar. Fui hospitalizado no primeiro mês de mandato e estava apto e autorizado pelos médicos. Tanto não vejo problema que em março quando formos em comitiva para a China, ele assumirá no período. Nos próximos dias, quando as mudanças do gabinete estiverem prontas, irei chamá-lo para uma nova missão. Só não sei se mais uma vez ele não irá aceitar.

 

O senhor construiu uma relação de parceria com a Câmara que aprovou sem nem muito debater os principais projetos que apresentou. Acha que isso continuará assim neste ano de eleições?

 

Há casos e casos. O projeto da reforma administrativa ficou quase cinco meses tramitando na Câmara e foi muito bem debatido. Outras situações surgiram de emergência, como caso das ações de inconstitucionalidade movidas pelo Ministério Público sobre as gratificações. Foi preciso agir rápido para não haver perda para os servidores. Nossa relação com a Câmara sempre foi muito saudável e faremos o possível para continuar assim pelo bem de Cachoeiro, mesmo sendo ano eleitoral. Cachoeiro tem que estar acima de tudo.

 

Há, pelo menos, dois secretários seus que se movimentam como candidatos. Como o senhor vê essas articulações?

 

Não vejo nenhum problema, desde que não atrapalhe a gestão. Ainda acho que é cedo para fazer qualquer tipo de movimentação política pensando em Eleições 2018. Política não é uma ciência exata e o quadro muda a todo o momento. Novos nomes podem aparecer no cenário e muitos que se dizem candidatos hoje, podem não se viabilizar.

 

Como é o seu relacionamento com o Governo do Estado e com o governador Paulo Hartung?

 

De respeito mútuo. Apesar de estarmos em partidos diferentes, hoje estou prefeito da 5ª maior cidade do Estado e destacado polo econômico da região sul e ele está governador do Espírito Santo. Já levei ao seu conhecimento várias necessidades do nosso município, algumas foram atendidas e outras ainda estão sendo avaliadas. Nossa cidade é reconhecida por sua importância na economia nacional e internacional e, por isso, sempre teve seu lugar de destaque no cenário capixaba, e acima de quaisquer divergências políticas. Estou trabalhando para que assim continue. Meu partido sempre será Cachoeiro de Itapemirim.

 

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