Economia

Expectativa de porto e desafio da urbanização

Economista e ambientalista alertam sobre importância de capacitação de mão de obra e planejamento urbano


Principal centro econômico do Sul do Espírito Santo, Cachoeiro de Itapemirim é o segundo núcleo mais importante do Estado, só ficando atrás da Grande Vitória.

Polo internacional de rochas ornamentais - maior centro de beneficiamento das Américas, o município é responsável pelo abastecimento de 80% do mercado brasileiro de mármore. Na região, encontra-se uma mega jazida do recurso mineral. 
O setor de comércio e serviços também é expressivo, gera milhares de empregos. Sobressaem-se ainda indústrias dos ramos de laticínios e metalmecânica dedicada ao setor de rochas. A pecuária e a cafeicultura ainda são atividades significativas. 

 

Porto

 

Na visão do economista Yuri Sabino, a expectativa de fomento da economia local agora gira em torno do Porto Central, em Presidente Kennedy.

O megaempreendimento de cerca R$ 3 bilhões teve a sua licença de instalação concedida recentemente pelo órgão ambiental federal IBAMA e deve começar a ser construído no próximo ano.

Trata-se de um complexo industrial-portuário privado de águas profundas, de classe mundial. O que promete colocar o Espírito Santo na rota dos maiores navios em operação no globo.

"O Porto Central tem capacidade para atrair a ferrovia que ligará Vitória até o Porto de Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro - quando as obras forem iniciadas, a via férrea deve começar a sair do papel", destaca Sabino, um estudioso da infraestrutura capixaba.

Porém, o economista faz a seguinte ressalva: "o crescimento tem que ser planejado. Crescimento econômico costuma gerar impacto ambiental e social também". 
O investimento em educação, a capacitação de mão de obra, reforça Sabino, são imprescindíveis. "Um curso de Comércio Exterior, por exemplo, é fundamental. Por conta do ramo de rochas, do café, e agora por causa do setor portuário".   

 

Expansão 


A expansão de Cachoeiro em direção às localidades de São Joaquim e Safra - liderada por projetos de empreendimentos da Selita (maior cooperativa de laticínios do Estado), Unimed Sul Capixaba e do grupo educacional Multivix - abre novas perspectivas e chama atenção para a necessidade de planejamento urbano.   

"Penso que o crescimento de uma cidade precisa respeitar os limites estabelecidos pela lei em relação às margens dos rios e córregos, áreas de APP, topo de morros etc.", aponta o ambientalista João Luiz Madureira Júnior.

 "Não podemos mais nos dar ao luxo de desrespeitar premissas básicas. A recente tragédia de Rio Novo do Sul nos mostrou isto. Crescer com sustentabilidade e integração cidade x natureza", diz, referindo-se à enxurrada que inundou o município vizinho no fim de semana passado.  

 "Penso que a impermeabilização dos solos é grave. Deve-se evitar usar asfalto e procurar alternativas, como PAVS (bloquetes). Arborização é fundamental para amenizar áreas urbanas com focos comerciais e industriais. O futuro é o que a gente constrói hoje", conclui o ambientalista, que desenvolve projetos de arborização urbana, preservação da vegetação de restinga e das falésias da região. 

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