O oportunismo de sempre das "velhas raposas" - Jornal Fato
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O oportunismo de sempre das "velhas raposas"

A política brasileira nos brinda com tal abundância de escândalos e absurdos que, por vezes, torna-se difícil elencar apenas um que mereça maior atenção


A política brasileira nos brinda com tal abundância de escândalos e absurdos que, por vezes, torna-se difícil elencar apenas um que mereça maior atenção. 

Pensei em escrever sobre o assassinato bárbaro e covarde da vereadora Marielle, e a forma como muitos usaram (ou, ao menos, tentaram usar) seu caixão como palanque. 

Pensei em escrever sobre o esquecido cantor Agnaldo Timóteo e suas ofensas irascíveis ao povo do sul, enquanto demonstrava seu absoluto desconhecimento penal e falta de capacidade de interpretação, para conseguir alguns minutos fora do ostracismo e salvaguardar alguns votos do eleitores do ex-presidente condenado em 2 instâncias. 

Pensei em escrever sobre a proximidade das eleições e a dança das cadeiras (ainda que só de mentirinha) de alguns ilustres e outros anônimos, para garantir a boquinha durante o próximo período eleitoral. 

Assim sendo, resolvi escrever sobre o denominador comum de todos os casos: O OPORTUNISMO. Nesse momento, em especial, em que a população está clamando por política moral, sem paternalismo e menos ideológica, vários nomes vêm surgindo na tentativa de surfar nesta "onda conservadora". Empresários que se esbaldaram nas benesses do esquerdismo corporativista e sua farra com dinheiro público, celebridades que usaram e abusaram com a proximidade e amizade com os poderosos e, claro, os velhos puxa-sacos sem competência para nada além de acomodarem-se em alguma teta pública. 

Não importa se é azul ou vermelho, tucano ou estrela, esses sempre estarão lá. São, praticamente, um patrimônio cultural da velha política, da qual todos estamos cansados. 

Nesse espetáculo Dantesco do "cada um por si", assistimos a mudanças improváveis, quiçá milagrosas, de alguns que gritavam palavras de ordem e ajoelhavam-se aos caciques do populismo, mas agora aplaudem o minarquismo, o direito à legítima defesa armada e a meritocracia, ainda que nem façam idéia do que essas coisas signifiquem. 

Não digo, de maneira alguma, que mudanças não podem acontecer. Desconfiemos, então, de qualquer mudança de comportamento abrupta e inexplicável. A ideologia de uma vida inteira não pode ser abandonada de uma hora pra outra, sem motivo aparente. 

Quem o faz é porque nunca teve ideologia nenhuma, exceto a do favorecimento pessoal. São as velhas raposas em um galinheiro novo. 

Identificar esses predadores, e expo-los, aos nossos amigos e familiares, é a única forma de salvarmos nossas "penas". Na temporada de "caça ao cargo", o apetite destes animais só é sanado com um contracheque pago com o erário público. 

É do nosso bolso que sairá o jantar dessas feras. 

 


Dayane Hemerly Repórter Jornal Fato

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