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O melhor do tempo


O tempo é feroz e cruel, pois corrói, envelhece e mata desde o ser vivo mais sensível até o metal mais resistente. Todavia, em meio aos processos destrutivos, como no vinho, com o tempo se revela o que há de mais belo na vida: o amadurecimento, a capacidade de relevar decepções e a sabedoria para olhar o Outro com amor, apesar de suas limitações. Por óbvio, nem todos se permitem vivenciar essa beleza, logo, se tornam a cada dia mais isolados, rabugentos e passam a acumular desafetos por menor que seja a atitude que lhes contrarie. Assim, enquanto uns sofrem o processo e se tornam "vinhos", outros teimam em ser "vinagres".

Em certa ocasião, ouvi de uma tia querida algo, mais ou menos, assim: "Deus é perfeito, faz o bebê tão fofo e encantador que o amamos incondicionalmente, logo, nem o estresse físico e nem o cansaço que ele traz junto de si nos retira o amor." Como ocorre com o bebê, o tempo, que mina nossa beleza juvenil e aniquila nossas forças, também tem a arte de nos tornar encantadores. Assim, atrairemos os bons cuidados quando estes nos forem necessários.

A medida que a vida passa tenho conhecido vários tipos de pessoas: algumas se dão muito bem com animais, mas com gente não sabe lidar; outras amam os animais porque sabem amar as pessoas, mas também há aquelas que, embora não façam mal, não são carinhosas com bicho, mas amam o ser humano. Conheci algumas que demonstram amor enquanto não são contrariadas; outras que têm o prazer de expressar desprezo, mas nem sabem o porquê do desafeto. Tem também daquele tipo de indivíduo que, mesmo sem empatia, consegue, por educação, manter a boa convivência.

Todo mundo conhece alguém que "não leva desaforo para casa", mas também conhece quem, educadamente, conversa para tentar apaziguar um clima desgastante que, por ventura, tenha surgido numa relação, seja de amizade, familiar ou social. Todos convivem com quem, para não enfrentar seus males e superar seus desafios, perde tempo fiscalizando e falando da vida alheia. De fato, é mais fácil ver o que está ruim no Outro que encarar os próprios erros e decidir mudar.

Ainda existe daquele tipo de pessoa que, com os cabelos brancos, ou mesmo na "flor da idade", tem sabedora no lidar com os desencontros da vida e, mesmo quando desprezada ou contrariada por quem, as vezes sem razão, não lhe quer bem, consegue manter erguida a cabeça e retribuir o provocador com olhar de misericórdia.

É fato que, de relações conturbadas e de conflitos para serem apaziguados, o povo brasileiro entende! Se ligamos a TV, assistimos guerras; se abrimos o jornal, lemos sobre desafetos; se a família se reúne, nem todos interagem; se caminhamos na rua, não sabemos o que nos espera. Apesar disso, embora assustadora a situação que assola nosso país, em nossa sociedade existe muito mais pessoas dispostas ao bem que tendentes ao mal.

Assim, seja qual for o tipo de personalidade, ou de respostas aos estímulos que a vida nos dá, ou seja em qual tipo de pessoas nos encaixamos, o belo em nós é a capacidade de se recriar, de transforma-se e de mudar o comportamento negativo com o fim de transformar nossa vida e nosso Brasil em uma nação habitável e saudável, ao menos, para as gerações que virão após nós.


Dayane Hemerly Repórter Jornal Fato

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